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De olho na data de validade?


Artigo por Raquel Barroso


A Jana, em uma dessas idas e vindas dela da Alemanha, trouxe um potinho da empresa alemã Nivea... para alguns e algumas, apenas mais um hidratante, mas para uma tradutora curiosa como eu, mas um prato cheio para alguém que pesquisa tradução de rótulos de cosméticos! 

Uma das minhas primeiras observações foi a ausência da data de validade, algo sobre o que vinha refletindo há pouco tempo. Então, corri lá no Instagram, pois à época estava pesquisando justamente  sobre isso, e fiz uma postagem na qual mencionei a ausência do prazo de validade. Uma das reações foi um tanto sarcástica: uma colega se referia ao seu ódio dos produtos que não continham a tal informação. E brincou: “Se não tem (data de validade), podia ser infinito, né?”. Mas o que me motivou a escrever este texto foi o comentário de outra colega, a qual disse: “a validade fica entre a tampa e o potinho”; em seguida, mandou uma mensagem com a foto de um potinho do mesmo hidratante, que ela devia ter em casa, e que apresentava as datas de fabricação e de validade daquele produto. Trata-se da vida útil do produto e revela as diferentes formas de percepção da segurança e da qualidade de produtos por diferentes culturas.

Poucos se dão conta disso, mas tal qual outros elementos traduzidos e presentes no nosso dia a dia, em especial em produtos cosméticos e comestíveis, o prazo de validade dita o comportamento social do consumidor. Por exemplo, no Brasil, somos norteados pelo formato (obrigatório) dia/mês/ano mediante um produto industrial prestes a ser adquirido a fim de nos certificarmos de que ele não está vencido ou de que será passível de consumo antes que o prazo expire. Sem esta informação, nós, brasileiros e brasileiras, dificilmente teríamos como avaliar se um produto é válido ou não. O prazo de validade, portanto, tornou-se referência de segurança e de qualidade para o brasileiro e influencia a compra de tal maneira que é bastante comum encontrar promoções de produtos cujo prazo de validade está prestes a expirar. 


Em outros países, como nos EUA, entretanto, é possível que o fator determinante para a aquisição de um produto, no caso um hidratante, seja determinada pela possibilidade de ele ser consumido em certo número de meses ou anos, porém, passa a contar após aberto. Fala-se, então, em vida útil do produto, que vem apresentada nas embalagens e/ou nos rótulos por meio do desenho de um frasco aberto, com um número e uma letra M (de month/mês) ou Y (de year/ano), ambos em inglês. Esse símbolo informa que a vida útil do produto passa a contar apenas a partir do momento em que ele é aberto ou que sua vedação for removida: 


Nesse contexto, incentivar o consumidor a observar mudanças nas texturas, nas cores e nos cheiros é, sem dúvida, mais importante do que determinar dia, mês e ano de vencimento dos cosméticos, o que pode ser relativo a depender da forma de acondicionamento dos produtos. Assim, não há rigidez de data de validade, que é considerada relativa. Interessante, não? 

★★★

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