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Pendrives também morrem


Acredito que o tradutor deve conhecer de tudo um pouco, principalmente no que se refere à tecnologia. Muito se fala sobre tradução em nuvem, ferramentas e memórias de tradução, crowdsourcing (modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários), a importância de se ter um bom computador, uma boa impressora... Enquanto isso, as pequenas coisas continuam sem discussão ou carecem de dicas sobre sua função e manuseio. Algumas delas se tornaram tão comuns que aparentemente dispensam qualquer explicação ou recomendações de uso. É o caso do pendrive.

Muitos já devem saber que, após o uso, o pendrive requer um procedimento especial antes de ser desconectado. Trata-se de selecionar a opção "ejetar mídia com segurança" de forma que seu computador entenda que o dispositivo não será mais usado. Apesar de ser uma informação praticamente popularizada, alguns ainda insistem em remover o dispositivo no susto, isto é, retirando-o subitamente. Isso faz com que aquelas operações invisíveis aos olhos (não aparecem na tela do computador, mas estão sendo processadas internamente) sejam interrompidas sem qualquer aviso prévio e, assim, podem ser corrompidas ou perdidas para todo o sempre.

Provavelmente porque algumas pessoas eram acostumadas com o falecido disquete e o persistente CD-ROM que, embora possuíam a mesma opção, eram ejetados com o simples comando do seu dedo em um botão externo do seu CPU, não tomam o devido cuidado que o dispositivo merece e acabam passando pela dor de cabeça de perder (os cabelos e) arquivos importantíssimos ou não terem a menor ideia onde foi parar essa ou aquela pasta. Mas por que isso acontece? Pedi para que o Thiago, um fera na informática que ensina tudo com a maior calma e maestria, escrevesse sobre o assunto para compartilhar aqui com vocês. Reproduzo abaixo o texto que também pode ser lido em seu tumblr.

Pendrives são dispositivos de memória flash, assim como cartões de memória. Ao longo dos últimos anos, eles tomaram o lugar que pertencia aos disquetes como padrão de mídia removível. Os velhos discos magnéticos, além de guardarem pouca informação, eram pouco confiáveis e estragavam com o uso repetido. O que pouca gente sabe é que pendrives também sofrem do mesmo mal, apesar de não na mesma escala, e nem pelos mesmos motivos. 
Um pendrive comum possui dois chips: um é o controlador, que faz a interface entre o computador e a memória, e o outro é a memória em si. Chips de memória são uma tecnologia antiga — se você já abriu um cartucho de videogame, então já viu um. A diferença de uma memória flash para uma ROM é que a flash é reprogramável, ou seja, você pode mudar o estado dos circuitos para mudar a informação que o chip guarda. 
Cada bloco de memória flash tem uma vida útil. São mais ou menos como lâmpadas, que acabam queimando depois de serem ligadas e desligadas um número de vezes. Alguns estudos apontam que um bloco de memória de um pendrive suporta algo como 10.000 reescritas até se entregar (à morte, isso mesmo; assim como os disquetes, uma hora os pendrives também morrem). 
Como cuidar dos seus pendrives sem ter que se preocupar em perder seus preciosos dados? Pra começar, você deve usá-los apenas para backup e transporte. Usar como backup significa: se você vai guardar alguma coisa nele, tenha isso copiado em outro lugar. E usar como transporte significa que você não precisa ficar escrevendo no pendrive até que esteja pronto para levar esses dados para outro computador. 
Por exemplo: se você está editando um texto salvo no pendrive e o processador de texto tem uma função de salvar automaticamente, ele irá fazer alterações na memória a cada intervalo de alguns minutos. Você pode muito bem copiar o texto para seu computador, editá-lo de lá e copiá-lo de volta para o pendrive assim que o arquivo estiver fechado. Dessa forma, ao invés de fazer várias reescritas, você fez apenas uma. 
Esse é um exemplo simples. Algumas pessoas podem querer usar memória flash para guardar um arquivo de swap, porque é mais rápido do que ter que escrever no disco rígido. Claro que elas devem esperar que esses dispositivos vão morrer mais cedo! 
(...) 
Se forem tomados todos os cuidados, um dispositivo flash pode durar por eras. Você deve se preocupar muito mais com os casos em que o dispositivo ainda está funcionando plenamente, mas tem a memória corrompida e os dados são perdidos. Isso geralmente acontece por atitudes idiotas como remover o pendrive sem desmontar/ejetar/”remover com segurança” antes (é incrível o tanto de gente que acha esse procedimento desnecessário, sendo que isso pode até fritar sua porta USB), mas também pode acontecer sem querer por causa de travamentos, pique de luz/falta de bateria, ou até por falhas do sistema ou do controlador interno.

Pois é, se você não toma os devidos cuidados, o seu pendrive vai dessa pra melhor. A questão de fazer uma cópia de segurança é muito importante, pois o pendrive não deve ser usado como uma forma de armazenar suas informações, mas transportá-las. Se você não sabia, é essa a principal função do dispositivo: levar a informação de um lugar para outro. Tal qual o disquete, só que mais moderno. Outra dica é sempre passar um antivírus antes e depois de usar seu dispositivo em diferentes computadores, pois eles também transportam e armazenam essas pragas que servem tanto para danificar nossos arquivos como, em alguns casos, roubar informações.

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