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Nenhum Tradutor é uma Ilha Bouvet

Imagem de Henrik Sorensen
Por Janaina de Aquino

Frequentemente, leio e ouço comentários de que a profissão de tradutor é bem solitária. Bem, se considerarmos fisicamente, é claro que a profissão pode ser colocada desta forma, pois em geral se reduz a apenas ao tradutor e à tela do seu computador. Os autônomos, então, têm contato diretamente com o cliente, sem nenhum intermediário para formar um trio, um grupo de cinco, seis pessoas... Nestes casos, principalmente nos de mente fechada, a profissão pode adquirir um caráter ainda mais solitário devido à ausência de uma rede de contatos com outros tradutores, agências e até profissionais de outras áreas de formação. 

Bom, acontece que nenhum tradutor é uma Ilha Bouvet, a mais isolada e desabitada ilha do mundo. É muito importante estabelecer uma rede de pessoas com quem contar, quer seja para troca de informações, quer para passar um trabalho que você não poderá pegar no momento. Sim, passar um trabalho para frente, para um colega de sua confiança, porque já está muito ocupado para executá-lo, significa endorsar seu próprio trabalho. Ou você acha que é melhor recusar a proposta a compartilhá-la com outro tradutor? Se você pensa assim, então está disposto a perder um cliente, o qual, provavelmente, poderia vir a se tornar um ótimo parceiro comercial (parece-lhe absurdo? Pois saiba que já vi colegas agirem assim). Mas, se pensa ao contrário, que dizer ao cliente que infelizmente não poderá aceitar o trabalho agora, porém conhece alguém igualmente competente, e eis aqui seu contato, significa receber em troca a gratidão deste cliente e ter a possibilidade de ser contatado de novo no futuro, pois não poupou esforços em ajudá-lo. Além disso, este é o primeiro passo para formar uma rede de contato: você, seu cliente e seu amigo tradutor. Se seu amigo for honesto, ele terá o mesmo tipo de atitude em relação à você.

Nenhum tradutor sabe tudo, também. Não importa o quanto ou tantos de anos se traduz um assunto, há sempre a possibilidade de se deparar com um termo de especialidade desconhecido que lhe tomará horas de pesquisa, muitas vezes mal sucedidas. Tudo isso pode ser resolvido com um simples telefonema, por exemplo. Ano passado, quando traduzia um currículo escolar de estudante de música, não hesitei em entrar em contato com diferentes colegas estudiosos acadêmicos ou por hobby da área para lhes perguntar se por acaso não conheciam aqueles termos. Um deles, felizmente, tinha cursado a disciplina naquele mesmo semestre e disse-me os correspondentes, inclusive, corrigiu algumas opções que encontrei a duras penas anteriormente. Há não muito tempo, outro amigo cedeu-me gentilmente o material de apoio para tradução de textos jurídicos de um curso que ele pagou para fazer. A este amigo e outro amigo, um ano atrás, passei a oportunidade de viajar para os EUA com tudo pago como guia bilíngue porque eu mesma não poderia. O convite veio de uma ex-colega de trabalho e ela ficou muito satisfeita com minhas indicações porque estava difícil (acredite!) encontrar pessoal disponível/capacitado. 

Mas lembre-se: a rede de trabalho também pode começar a se formada a partir de diferentes formas e lugares, não apenas virtuais: encontro em um café, almoço, pequenas reuniões e, principalmente, em nosso, caso, conferências, seminários, simpósios de tradução. Não é à toa que divulgo essas informações a todo momento. 

Fique sempre em alerta para a oportunidade de conhecer gente nova, pois você nunca sabe o que as pessoas que encontrará em um bar, avião, escola do seu filho etc. etc. podem saber... Eu já conheci um punhado de especialistas e, se já aprendi um bocado de coisa em conversas informais, quiçá para assuntos realmente profissionais! 

Por fim, sobre como maximizar suas relações em redes de trabalho, falarei outro dia, por hoje espero que aceite a ideia de pelo menos começar a cultivar a ideia de interagir melhor com seus colegas, pois se é para ser uma ilha, que seja uma ilha interconectada!

Imagem de Gwilym Johnston






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