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Antes de tudo, o tradutor deve buscar um perfil para si próprio

Por Jéssica Beleza


"Sempre se questiona o caminho que poderá levar alguém a ser um bom tradutor. Com esse questionamento busca-se saber qual seria a melhor via para o exercício competente da tradução. Isto pelo fato de a tradução aparecer não apenas como um ofício que se aprende em escola, mas também como um campo de experiência e até como uma arte cujo talento transparece com mais luminosidade em uns tradutores do que em outros. Podemos desde já adiantar que, a tradução, na medida em que é um ofício e também uma arte, para ser bem exercida, deverá conhecer e cumprir algumas normas e preceitos básicos, que a comunidade científica da área, constituída por leitores especiais, técnicos e peritos na arte de traduzir deixaram como rastro no percurso de seus caminhos.

Tudo isto nos ajuda a verificar que há na verdade um perfil teórico da tradução que serve de modelo para a tradução ser executada com competência. A teoria da boa tradução será aquela que partir de uma prática da tradução que se transforma aos poucos nos fundamentos básicos do ato de traduzir.

Quando Sartre dizia que o “homem é um ser que se faz a si próprio”, estava nos oferecendo a fórmula da própria teorização do homem a partir do Dasein ou da situação existencial, que determina os dados pertinentes à formulação essencial. Paralelamente poderíamos dizer, parafraseando Sartre, que são limitadas todas as definições de tradutor, se não partirem de um campo experimental e prático. O axioma fundamental de sucesso seria este: “o tradutor é um profissional que se faz a si próprio”. Seu perfil de trabalho nascerá consequentemente do perfil de seu conhecimento." João Ferreira 8 de março 2007 Essa última frase define bem o que penso, e o texto já responde a grande pergunta clichê "o que está certo ou errado na tradução". Eu nunca soube responder esta pergunta; mas tive certeza de que conhecimento, nunca é demais, e mais: é essencial para qualquer leitor e escritor - e o tradutor os é por completo, não sei nem se mais leitor ou mais escritor, mas com certeza, precisa ser bom em ambos. Mais tarde, João diz: "A prática da tradução é a aplicação de numerosos e específicos conhecimentos. Por conhecimento, entendemos a informação, a ciência, o discernimento, o critério e a consciência crítica. Em filosofia, o conhecimento é a apropriação do objeto pelo pensamento. No capítulo dos conhecimentos pertinentes ao campo da tradução, estabelece-se uma ligação estreita entre o sujeito e o objeto da tradução, entre o tradutor e o texto a traduzir, entre a técnica, o conhecimento e a metodologia da arte de traduzir. No estabelecimento das fronteiras entre a boa e a má tradução, surgem princípios orientadores e conclusões críticas, de caráter epistemológico, que nos levam à postulação de um estatuto epistemológico da tradução." Ou seja, um tradutor será sempre um curioso, insaciável, como toda pessoa deveria ser. Mas como nem todos são, ainda vamos ouvir muitos equívocos - gritantes - sobre a arte de traduzir.

Quem quiser ler o texto completo, leia aqui.



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