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Gabriel García Márquez: 'Os Pobres Tradutores Bons'.



Gabriel José García Márquez (6 de março 1927 - 17 de abril de 2014), um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas, fez em 1982 um passeio maravilhoso pelas vias enveredadas pelos tradutores de sua e outras obras em um texto. Confira tradução de Miguel Sulis publicada pela revista de tradução literária Nota do Tradutor aqui.

Para mim, não há curiosidade mais entediante que ler as traduções de meus livros nos três idiomas nos quais me seria possível fazê-lo. Não me reconheço a mim mesmo senão em castelhano. Mas li alguns dos livros traduzidos ao inglês por Gregory Rabassa e devo reconhecer que encontrei algumas passagens que me agradavam mais do que em castelhano. A impressão que dão as traduções de Rabassa, é que ele aprende o livro de memória em castelhano e, em seguida, volta a escrevê-lo completo em inglês: sua fidelidade é mais complexa que a literalidade simples. Nunca faz uma explicação em pé de página, que é o recurso menos válido e por desgraça o mais acudido nos maus tradutores. Nesse sentido, o exemplo mais notável é o do tradutor brasileiro de um de meus livros, que ofereceu à palavra astromélia uma explicação em pé de página: flor imaginária inventa da por García Márquez. O pior é que mais tarde li, não sei onde, que as astromélias não só existem − como todo mundo no Caribe sabe − como também seu nome é português. (Tradução de Miguel Sulis)


Cem anos de solidão foi traduzido para 40 idiomas. Imagem:  Christopher McCabe


Um comentário

Angela disse...

Que vexame para o tradutor brasileiro, hein!

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