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Minions e o desafio de traduzir as línguas fictícias

As personagens Minions ficaram conhecidas na animação Meu Malvado favorito, produzido em 2010 por Illumination Entertainment e distribuído pela Universal Pictures, mas fizeram tanto sucesso entre crianças e adultos que ganharam seu próprio longa, lançado em 25 de junho de 2015 no Brasil.

Além do interesse peculiar das criaturinhas em servir a um vilão genuíno e seu gosto insaciável por bananas, duas razões pelas quais se metem em inúmeras confusões, outra característica marcante que não escapa aos ouvidos mais atentos de espectadores aficcionados por tudo que envolve língua como os meus é o jeito todo especial com que a 'língua Minion' ou Minionese soa.



Como falantes de português, não é difícil para nós, brasileiros, reconhecer a presença de algumas palavras primas da nossa língua na fala dos Minions, por exemplo, "para tu" que é um empréstimo de "para você" do espanhol ou 'gelato', 'sorvete' em italiano. Isso se deve ao fato de que a língua Minion, também conhecida como "Língua Banana", é uma mistura de espanhol, inglês, italiano e francês, com alguns vocábulos do russo e do coreano. A proximidade com línguas reais foi uma estratégia pensada para que espectadores mais jovens pudessem entender de maneira geral as conversas entre as personagens. Confira aqui o processo de criação da língua, inventada por um dos diretores da animação, o francês Pierre Coffin.



Antes que você comece a se perguntar qual a utilidade desta postagem, gostaria de chamar a atenção para o tipo de desafio imposto a tradutores do ramo que precisam encontrar uma forma de conciliar os segmentos que devem e precisam ser traduzidos contra aqueles que são fixos e inerentes à 'língua', ou seja, não cabem tradução. Outras línguas fictícias, como a Na'vi presente no filme Avatar ou o élfico Sindarin do filme O Hobbit, necessitam de legendas, pois foram totalmente criadas. 

Discorro sobre o assunto em causa própria, quando me propus a traduzir os quadrinhos Pearls Before Swine, em que um dos grupos de personagens fala uma espécie de língua que emprega nada mais nada menos, tudo ao mesmo tempo, elementos da baby talk (a língua falada pelos bebês), dislalia (a troca de algumas letras, tal qual Cebolinha na Turma da Mônica), língua criola inglesa, erros de um estrangeiro que começa a aprender inglês e AAVE (a forma como soa o inglês falado pela comunidade negra). Veja um exemplo:



É um prato cheio para discussão, não? E você ficaria espantad@ se eu disser que é possível associar o assunto inclusive aos rótulos de cosméticos! Ficou curios@? Abordarei mais sobre o tema em outra oportunidade. Não perca!

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