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Perfil e demandas de um intérprete da ONU



Vocês sabiam que a Mafalda, criada pelo cartunista argentina Quino, sonha em ser intérprete da Organização das Nações Unidas?



Pois é, parece que muita gente partilha da mesma quimera! Mas, quantos será que, como ela, estão com a ideia de que, ser intérprete da ONU, significa mudar o mundo? Bom, em parte, sim, mas não para por aí. Elenquei uma série de pontos (reproduzidos de artigos que encontrei na Internet. Vide fontes no fim da postagem!) sobre as tarefas desempenhadas, os perfis e os requisitos necessários para se tornar um intérprete da ONU!


A ESTRUTURA

  • As reuniões da ONU - nos quartéis generais de Genebra e Nova York, ou em uma ou outra cidade do planeta em missão especial – acontecem em um dos seis idiomas oficiais: inglês, francês, russo, espanhol, chinês e árabe.

  • A Assembleia Geral Anual – que todo ano, em setembro, reúne todos os membros da ONU para uma série de discursos e análises políticas durante duas semanas – é o equivalente da Copa do Mundo de interpretação profissional


  • No dia a dia, os conselhos, comitês e publicações da ONU produzem trabalho suficiente para o departamento de idiomas, composto por quase 460 profissionais, constantemente ocupados.


  • A ONU segue um horário rígido no qual os intérpretes trabalham em duplas, alternando a tradução com o parceiro a cada 20 minutos, no máximo (os discursos da Assembleia Geral, ademais, em geral duram no máximo 15 minutos).


  • A concorrência para os cargos é acirrada. Em 2009, dos 1800 candidatos a intérpretes de chinês, só 10 foram aprovados na seleção da ONU. Para árabe, somente 2 dos 400 candidatos passaram.


  • Muitos especialistas em idiomas da ONU trabalham como tradutores devido ao número extenso de publicações e documentos que tramitam pelo órgão internacional a cada ano. Porém, o cargo com maior prestígio é o de intérprete de tradução simultânea, quando os especialistas se sentam em cabines com isolamento acústico e traduzem discursos, em geral altamente técnicos ou carregados de conteúdo político.


  • Os intérpretes que trabalham em eventos importantes como as reuniões do Conselho de Segurança em geral tem tempo para se preparar, tendo acesso com antecedência a informações sobre os procedimentos. Isso possibilita que eles se familiarizem com os conceitos e a terminologia do debate. 

  • A pauta para a Assembleia Geral em geral é planejada com meses de antecedência, possibilitando que a equipe de tradução tenha um período amplo para estimar quantos intérpretes serão necessários para as conversas programadas.

  • Alguns estudos demonstraram que durante debates intensos, os intérpretes em geral sofrem aumento de pressão e do ritmo cardíaco, à medida que se esforçam para traduzir diferentes termos, nuances e argumentos para frases refinadas e compreensíveis.

  • Traduções simultâneas são a missão principal dos intérpretes da ONU.

  • Participar de missões em zonas de guerra é voluntário.

PERFIL E DEMANDAS 

  • Os intérpretes da ONU devem dominar outros dois idiomas além da língua-mãe. 

  • Os intérpretes da ONU traduzem sempre usando a língua-mãe, com exceção nas cabines de árabe e de chinês. Muitas vezes, por falta de tradutores qualificados destes idiomas, eles devem ser traduzidos em inglês ou francês.


  • Os intérpretes da ONU são de países diferentes, mas que as suas nacionalidades não contam muito

  • Os intérpretes devem evitar que as suas opiniões pessoais influenciem o trabalho, com exceção apenas para transmitir a emoção do orador.




  • Um intérprete também pode ser encarregado de chefiar a equipe, sendo responsável por uma das cabines linguísticas.


  • Em um guia da ONU voltado para aqueles interessados em se tornar especialistas linguísticos, o trabalho aparenta ser uma mistura de diplomata, engenheiro de foguete e controlador de tráfego. “Um bom tradutor”, diz o guia, “conhece técnicas para lidar com uma enorme variedade de situações difíceis, tem nervos de aço, não entra em pânico, tem estilo e consegue acompanhar oradores rápidos”.


  • Para Rebecca Edgington, autoconfiança e ser um "perfeccionista pragmático" são qualidades de um bom intérprete.


  • É importante ter pleno domínio do estresse 



  • Um intérprete da ONU deve se interessar por assuntos ao redor do mundo, atualizando-se por meio da leitura regular de jornais internacionais e pesquisa sobre os temas abordados durante as reuniões. Este é um dos trabalhos feitos fora da cabine mencionado no edital de seleção da ONU. 


  • Fora da cabine é preciso abandonar o próprio ego, pois ser um intérprete significa "ser invisível". "A ideia é a de não fazer parte da história."


  • Estudantes de mestrado em interpretação aprovados em um processo seletivo prévio têm direito a visitar a sede da ONU por alguns dias ou semanas. Eles praticam a teoria numa "cabine de testes" e, assim, ganham experiência e jogo de cintura com o vocabulário, as expressões coloquiais e a dicção das Nações Unidas.



Tradução (Marina Borges): “A vida de intérprete da ONU”

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