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Paralelismo Linguístico



A língua portuguesa é oficial em 9 países, o que a torna falada por 250 milhões de pessoas. Isso não significa, contudo, que todos falam a mesma língua, pois é possível identificar inúmeras variações, em que o português brasileiro e o ibérico (de Portugal) são algumas delas. O mesmo acontece com idiomas como o inglês, cujas variações mais utilizadas no cenário brasileiro são o inglês britânico e o estadunidense.

Durante o processo de tradução, ou melhor, versão é muito importante se ater a essas variações para não fugir do que chamo paralelismo linguístico, ou seja, prática que consiste em manter o uso de expressões, termos e até a maneira como se escreve determinadas palavras ou se indica certos formatos, como data, hora, valores etc. dentro dos padrões de uma mesma variação. 

Por vezes, essas diferenças podem parecer insignificantes ou gritantes, a depender da situação. De todo modo, evidenciam claramente a origem do texto ou do falante. É o que acontece, durante uma conversação, quando pronunciamos certas palavras ou usamos expressões de tal maneira peculiar que o nosso interlocutor consegue identificar de qual região somos. Em um texto, essas distinções também são bastante visíveis, quer seja no campo ortográfico, semântico ou numérico. 

No caso específico do inglês, tendo em conta a variação britânica e estadunidense, devemos, portanto, policiarmo-nos para não usá-las em um mesmo texto de forma que ora se empregue uma expressão comum apenas ao Reino Unido e outra essencialmente típica dos Estados Unidos. Veja alguns exemplos abaixo, referentes ao campo ortográfico.
  • Em inglês britânico, palavras com terminação -our (favour, labour, harbour) perdem o "u" na versão estadunidense, ficando apenas -or (favor, labor, harbor);
  • Já algumas palavras com final -re em inglês britânico, sofrem inversão no estadunidense. Theatre  vs. theater é o exemplo mais comum. Mas atenção! Apesar da diferença ortográfica, não se pronuncia o "tr" no português britânico como em travel. A pronúncia correta é (th-tr);
  • Palavras com terminação -ence, com c (defence, offence), no Reino Unido, são substituídas por -ense, com s, nos Estados Unidos (defense, offense).
  • Da mesma forma, saber que a variação britânica usa s enquanto o estadunidense emprega o z em algumas palavras com terminação ise/yse ze/yze também é importante para manter o paralelismo durante a tradução:
Inglês britânico
  • analyse
  • realise
  • fantasise
  • paralyse
Inglês estadunidense 
  • analyze
  • realize
  • fantasize
  • paralyze
O Word geralmente faz a correção automática para você, mas é importante conhecer bem as variações.

E não esquecer: o cifrão brasileiro tem dois cortes, o estadunidense, apenas um. Mas não se desespere: ambas as formas têm sido aceitas no Brasil, pois a variação com um ou dois cortes pode ocorrer conforme a fonte do texto. Leia comentário pertinente sobre o assunto aqui.

As datas também sofrem alteração entre inglês britânico e estadunidense, além de demandarem diferentes usos em situações formais ou informais. Veja aqui como.

Em termos de vocabulário, as variações são maiores do que podemos citar, então recomendo acessar aqui aqui. Ademais, existem muitas outras diferenças, as quais serão abordadas em outras postagens. Por enquanto, escolha uma variação e use-a até o fim! Boa diversão!

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