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Google Tradutor - O que Todo Usuário Deveria Saber



Postado originalmente em 7 de junho de 2010 aqui.
Será que você acreditaria que ao ver uma clausa dos Termos de Uso do Google pode ser de cair o queixo para um grupo de profissionais de trabalho à distância e empresários? Nem eu, até o dia em que apresentei uma pequena oficina sobre recursos para um grupo de trabalho à distância de Jerusalém.
Quando questionados se utilizam as Ferramentas do Google, como Gmail, Docs, e Google Tradutor em seu fluxo de trabalho, quase metade dos participantes levantaram a mão. Entretanto, depois que mostrei um slide com os trechos dos Termos de Serviço do Google a seguir, as mãos foram à boca em toda a sala:
Ao enviar, publicar ou exibir conteúdo, o usuário concede ao Google uma licença irrevogável, perpétua, mundial, isenta de royalties e não exclusiva de reproduzir, adaptar, modificar, traduzir, publicar, distribuir publicamente, exibir publicamente e distribuir qualquer Conteúdo que o usuário enviar, publicar ou exibir nos Serviços ou através deles.

O usuário concorda que essa licença inclui o direito do Google de disponibilizar esse Conteúdo a outras empresas, organizações ou indivíduos com quem o Google tenha relações para o fornecimento de serviços licenciados e para o uso desse Conteúdo relacionado ao fornecimento desses serviços.
Na linguagem humana, isso significa que ao enviar qualquer conteúdo para qualquer um dos serviços do Google, nós permitimos ao Google o uso ilimitado de nosso conteúdo e abrimos mão dos direitos à privacidade dos dados.
(Nota da Autora do Ecos: Este texto, de 2007, foi alterado para o seguinte:
Quando você faz upload ou de algum modo envia conteúdo a nossos Serviços, você concede ao Google (e àqueles com quem trabalhamos) uma licença mundial para usar, hospedar, armazenar, reproduzir, modificar, criar obras derivadas (como aquelas resultantes de traduções, adaptações ou outras alterações que fazemos para que seu conteúdo funcione melhor com nossos Serviços), comunicar, publicar, executar e exibir publicamente e distribuir tal conteúdo.
Leia os termos atuais completos aqui.)
É compreensível que as Ferramentas do Google sejam a escolha favorito de muitos trabalhadores à distância. Os serviços do Google ricos em recursos permitem facilitar a colaboração e o acesso remoto, mesmo quando oferece integração com o Outlook. No entanto, as empresas deveriam contrabalancear as vantagens de usar esta conveniência com o potencial risco dela violar suas informações confidenciais.
Antes que você pense que esta ameaça não passa de teoria, considere o Anúncios do Google, o qual já busca por palavras-chave em suas mensagens de Gmail e exibe anúncios relacionados. Se o Google pode minar seus dados para fins comerciais, o que o impediria de fazer isso por outras razões?
Dez anos desde a criação do Google, a maioria das pessoas ainda se prendem a uma visão romantizada da empresa como um prodígio de uns caras super inteligentes, mas divertidos de Standford se esforçando para democratizar o acesso à informação, ao mesmo tempo em que apoiam boas causas. Esta percepção cria um sentimento positivo entre os usuários, levando-os a acreditar instintivamente no Google e em seus serviços. Contudo, na semana passada, o Google admitiucoletar informações confidenciais, tais como endereços de email e senhas, enquanto seus carros percorriam as cidades fotografando as ruas para o projeto Street View de 2008. Funcionários do alto escalão da empresa, envergonhados, prometeram destruir os dados tão logo possível. Eles esqueceram de explicar, porém, por que a empresa coletava tal informação antes de tudo e, se a informação foi obtida de forma equivocada, por que o Google não a destruiu imediatamente, em vez de mantê-la em seu poder até que o escândalo estourasse?
Por fim, em agosto, uma corte de Nova Iorque ordenou que o Google revelasse a identidade de um blogueiro anônimo em um ato que sem dúvida se tornará revolucionário no que se refere a todas as questões de privacidade na Internet. As ramificações são claras: qualquer percepção de privacidade e anonimato para os usuários do Google é apenas isso, uma percepção. A decisão deixa a entender que a privacidade do usuário não é um valor subjacente que pode ser violado, sempre que os motivos forem sólidos o bastante.
Mesmo se você se decidir parar de usar as Ferramentas do Google diretamente, muitos aplicativos de terceiros atualmente integram esses serviços em seus programas. A indústria de tradução é um exemplo disso. Várias empresas de tradução usam programas de Tradução Assistida por Computador (CAT) em seus fluxos de trabalho. Estes programas quebram o texto em segmentos e sugerem possíveis correspondências de traduções (perfeitas ou aproximadas), baseadas no trabalho anterior do tradutor, armazenado em uma Memória de Tradução (MT). Além de poupar um monte de tempo, as ferramentas CAT melhoram a qualidade e consistência das traduções.
A questão da privacidade tem duas vertentes. As últimas versões de ferramentas CAT oferecem aos tradutores a opção de utilizar o Google Tradutor como uma das memórias de tradução. Quando isso acontece, o Google envia o documento do cliente para sua própria página a partir do aplicativo de CAT, muitas vezes sem o tradutor estar ciente do que está acontecendo. Além disso, muitos tradutores estão compartilhando suas memórias de tradução individual em bancos de dados colaborativos, como o Mymemory, permitindo que outros tradutores tenham acessos aos segmentos (ainda que curtos) dos documentos originais.
O que os tradutores não percebem é que todo conteúdo enviado para o Google Tradutor é imediatamente usado pela empresa para futuras correspondências de unidades de tradução. Ao habilitar o uso do Google Tradutor, dão ao Google acesso tanto ao texto de partida quanto de chegada. Em seguida, o Google replica as correspondências sempre que mais alguém tentar traduzir, mesmo que remotamente, sequências de texto semelhantes.
Em conversas com colegas, ouvi casos em que o Google retornou correspondências 100% perfeitas de unidades de tradução que continham dados de propriedade do cliente (incluindo nomes de empresas). Isso significa que alguém em algum lugar já tinha usado o Google Tradutor enquanto trabalhava com documentos confidenciais. Essas sequências agora podem aparecer como correspondências imperfeitas (fuzzy matches). Isso abre caminho para mineração de dados.
Se sua empresa depende de teletrabalho, leve os seguintes passos em conta para manter a integridade da sua informação:
      Procure programas de colaboração e produtividade alternativos que não prejudiquem seus direitos à privacidade;
      Analise atentamente os termos de serviço de qualquer aplicativo ou programa na internet que possa ganhar acesso a seus dados confidenciais;
        Eduque os funcionários e vendedores sobre possíveis riscos de privacidade;
         Cogite assinar um Termo de Confidencialidade com seus vendedores e funcionários de teletrabalho (e in loco). Se já tiver um termo como este, exija que todas as partes peçam aprovação antes de usar um aplicativo de terceiros junto com os projetos da empresa.
        Mantenha seus dados confidenciais exatamente assim: confidenciais. Você nunca sabe onde e como eles podem cair em mãos erradas.
Sem dúvidas, é inviável ler os Termos de Licença de Usuário Final de cada página que encontrarmos na Internet, mas as empresas devem entender os termos de todo serviço que tenha acesso a suas informações confidenciais.


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